"Espero que eu não pareça metido", diz David Macklovitch - também conhecido como Dave1, o elegante vocalista o duo electrofunk de Montreal, Chromeo - depois de falar entusiasmado sobre o quanto está feliz com o recente sucesso da sua banda.
Macklovitch parece realmente preocupado, sem nenhum vestígio do estilo 'sedutor' que seu tipo "Chromeo" sugeriria. Parece que ele quer manter o tipo sério em cheque, revelando um lado da banda que continua indiretamente nos levando a um parte mais profunda do que seus agradáveis hits de pista de dança nos diz.
Mas o rapaz de 33 anos - que também de alguma maneira tem tempo para cursar PhD em Literatura Francesa na Universidade de Columbia - está visivelmente muito orgulhoso de sua banda e do que ela tem realizado desde o lançamento de seu primeiro álbum, há sete anos atrás.
"Chegamos nesse estágio de serenidade agora, onde na verdade, não nos importamos como nossa música é entendida, desde que gostem dela."
Chromeo está mesmo curtindo a fase atual. Um ano se passou desde o lançamento de Business Casual - que atingiu a 4ª colocação na Billboard entre as músicas eletrônicas, e levou Chromeo ao alto escalão do gênero - e Macklovitch e a voz sintetizada do duo, P-Thugg (também conhecido como Patrick Gemayel), estão tocando para platéias cada vez maiores pelo continente.
A platéia obstinada na pista começa o grito de guerra da banda - Chro-Mee-Oh Ohhhh-Oh - sempre que o elegante duo tenta deixar o palco.
"Com Chromeo, nós fornecemos um serviço", Macklovitch diz, explicando o compromisso da banda com seus consumidores. "Você gasta o seu dinheiro suado para vir nos assistir e se divertir, cantando junto as músicas que conhece, e queremos ter certeza que irá embora com maior sorriso possível."
Não é surpresa que os singles do Chromeo são devorados por DJs ansioso por manterem a platéia feliz. Seu som faz uma ponte entre os sintetizadores e a luzes estroboscópicas entre a era Thriller Michael e hip hop de Steely Dan do início dos anos 90.
Depois de uma performance no The Sound Academy em Toronto,
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Chromeo tocou para um um "sold-out" Terminal 5 em Nova Iorque.
Nada mal para uma banda que inicialmente alguns críticos descreveram como uma novidade exótica e engraçada, quando eles aparecem com seu single "Needy Girl" pelo mundo, que foi base para o irônica volta por cima de Chromeo que trouxe a mais séria e honesta dance music pop dos anos 80.
Como o Yacht Rock e o Synth Pop, Dave1 e P-Thugg sem problemas se juntam, e a música do Chromeo existe num mundo que, de alguma maneira, é sexy e hilária.
"É nesta linha tênue que o Chromeo floresce", diz Macklovitch
Mas quando Chromeo pisca, você nunca tem muita certeza se eles estão fazendo piadinha com você ou chegando em você - estejam ele sendo abusados ou cafonas.
Macklovitch admite que ele e Gemayel - que se conheceram na escola e começaram a fazer música quando eram adolescentes - se preocupavam em não serem levados a sério quando deram início a banda.
Mas é difícil se preocupar quando você coloca 1000 pessoas em um lugar na primeira vez que vai tocar em uma cidade.
"Você pode ser engraçado e ter conteúdo; pode ser intelectual e simples ao mesmo tempo," Macklovitch diz. "Se as pessoas pensam que somos irônicos, legal, que seja; se pensam que somos intelectuais, uma 'nerd-synth band', legal, que seja.
"Fazemos música esquisita, cara - temos um brutamontes árabe e um judeu magrelo cantando como Billy Ocean coisas tipo temas de "Leisure Suit Larry" e "Rick James dos anos 80" . Esta coisa é estranha."
"O lado sério da banda aparece na determinação em continuar fazendo o melhor e se tornar maiores e melhores," ele diz. O que foi lançado até agora são apenas "peças do quebra-cabeça" - a imagem completa ainda está por vir.
Por exemplo, enquanto a banda se dedica à inspiração nos synths dos anos 80, Macklovitch diz que isso poderia se tornar "uma característica menos marcante para se tornar parte de um todo".
"Eu não estou satisfeito com o que temos, acho que podemos fazer algo melhor. Me orgulho e amo muitas múiscas... mas te digo, isso pode ser muito mais louco."
O musico Mayer Hawthorne lançou um ábum de covers chamado 'Impressions' e entre as escolhidas está uma versão de Don't Turn the Lights On.
Segundo o próprio Mayer:
"(Don't turn the lights on é) Minha música favorita do ultimo CD do Chromeo. Superficialmente, é um electro-funk, para encher a pista de dança, mas no fundo é uma balada de amor brilhante, com letra que me lembrou alguma coisa de Tyrone Davis. Dave 1 me disse que essa música é sobre um cara que se apaixona por um fantasma, então eu quis que minha versão fosse misteriosa, que parecesse fantasmagórica. Quincy McCrary tocou o solo de piano assustador no final."
Para quem quiser conferir o resultado, é só ir na página do Mayer, que disponibilizou lindamente o arquivo para download totalmente 0800.
55 faixas em 186 segundos. Esta será a estrutura do próximo álbum do Chromeo, Drive Time, que está sendo produzido por Dave Bascombe (Placebo, Goldfrapp, Depeche Mode). A ideia do duo é trabalhar para chegar à alma, ao “átomo” da música que fazem. “As pessoas vêem o White Album como uma grande ideia porque ele é muito longo. Nós fomos à nossa essência”, disse Dave 1 em entrevista.
Com 3 minutos e 6 segundos (!) de duração, Drive Time será o álbum mais curto da história, desbancando fácil outros célebres trabalhos enxutos, como o Human Jerky do Cattle Decapitation (12:36), o Roustaboutdo Elvis Presley (20:05), o Second Album dos Beatles (22:13) e o Nashville Skyline do Bob Dylan (26:48).
Será também a primeira vez que o duo aparece com uma intenção política por trás de suas músicas. Segundo Dave 1, “quando o Chromeo surgiu rolou todo aquele barulho sobre sermos um duo árabe-judaico e, mesmo que a gente não seja encarado como uma ameaça política, eu decidi tomar uma posição”. Além disso, o álbum também inclui a canção-relâmpago “Turn Left”, que será uma releitura da “música de protesto” característica de Bob Dylan, artista que Dave 1 cresceu ouvindo e de quem seu pai era fã.
Veja algumas cenas das gravações e ouça as considerações do Chromeo sobre a concepção de Drive Time: